Nenhuma sensação é mais perturbadora do que quando um personagem te marca tanto que você de alguma maneira apaixonasse perdidamente por ele. Meninas que leem, e algumas vezes meninos também já passaram por isso. Eu digo leem porque nem sempre essa sensação é tão poderosa em séries e filmes, como costuma ser na literatura. Afinal, na literatura é apenas você e o livro, então cria-se uma sensação muito mais intensa - obviamente quando um livro é bem escrito e o personagem bem traçado.
Eu já havia experimentado essa sensação algumas vezes, embora nenhuma supere a paixão arrebatadora a qual toda mulher que lê o Morro dos Ventos Uivantes, está sujeita ao deparar-se com o ser mais amado e odiado pelas leitoras, também conhecido como Heatcliff.
Porém, não falemos dele...
Ao menos não hoje, mesmo porque embora ele ainda esteja naquele lugar profundo e eternamente guardado para ele, hoje não é dia de Heathcliff. Graças a O Sol também se Levanta - Ernest Hemingway, hoje é dia de Pedro Romero.
Ao menos não hoje, mesmo porque embora ele ainda esteja naquele lugar profundo e eternamente guardado para ele, hoje não é dia de Heathcliff. Graças a O Sol também se Levanta - Ernest Hemingway, hoje é dia de Pedro Romero.
- Estou louca por esse garoto Romero.Creio estar apaixonada por ele.
Eu apenas notei o quanto o jovem toureiro havia me conquistado ao ler a afirmação acima, proferida pela mulher mais cobiçada do livro -ta certo que a voluptuosidade da dita em questão diminui a credibilidade disso- mas a questão é que quando eu li tal lamento, senti com clareza os sentimento de Lady Ashley. E acredite qualquer mulher que um dia quis a austeridade de Heathcliff ou a candura de Noah Calhoun, certamente se apaixonaria - ou apaixonará - pelo rapazote de 19 anos. Que embora tenha uma suavidade primorosa na arena, é de uma seriedade estarrecedora. Além da sutil beleza capaz de encantar inclusive os homens, como se vê quando ele nos é apresentado:
Pedro Romero vestia a camisa de linho, branca. Seu assistente acabou de enrolar a faixa, ergueu-se e afastou-se um pouco. O toureiro nos fez um cumprimento com de cabeça e nos apertou a mão, muito distante e digno. Montoya disse-lhe qualquer coisa: éramos grandes aficionados e lhe desejávamos boa sorte. Romero escutava com ar muito sério. Depois voltou-se para mim. Eu nunca vi um rapaz tão belo.
Embora o trecho possa parecer extremamente vago, quanto mais você conhece Pedro Romero, mais encantador ele se torna e esse trecho vago torna-se deliciosamente inebriante.
Por isso, a presença de Pedro Romero - embora um assassino toureiro nato - torna a leitura de O Sol Também se Levanta (Hemingway) indispensável pra quem gosta de se apaixonar perdidamente. E também porque Hemingway é Hemingway, mas isso é um outro assunto, pra quem realmente entende.
Afinal, eu apenas amo literatura, boa literatura! Mas não sou uma especialista.
Ainda assim fica indicado: O Sol também se Levanta - Ernest Hemingway e seu encantador toureiro Pedro Romero.


0 comentários:
Postar um comentário